Há dias em que o peito não cabe no corpo,
em que o sangue corre de trás pra frente,
e a alma, essa fera indomável,
rasga o próprio ventre
pra ver se encontra sentido no caos.
Há dias em que amar é guerra,
e respirar é um ato de coragem.
Em que o espelho devolve
um estranho com teus olhos,
um naufrágio com teu nome,
um silêncio com tua voz.
Mas há também, nas ruínas do sentir,
uma centelha, obscura, mas viva,
que pulsa feito tambor de guerra,
gritando: “ainda estou aqui.”
E quando o mundo te virar do avesso,
deixa.
Deixa o chão te conhecer pelo nome,
deixa o abismo te chamar de irmão,
deixa o vento fazer morada
nos vãos das tuas costelas.
Porque só quem desce até o fundo
sabe o peso e o brilho da própria escuridão.
E só quem foi despido de si
descobre a força de renascer sem pele.
Então ergue-te, se como antes, luta!
se com o algo novo, selvagem e inteiro, luta!
Só não se acostuma com a inespida dor, pois
És feito o trovão que aprendeu com a dor
a cantar.
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